Você é minha alvorada, que nasce todas as manhãs e eu preciso ver para saber que estou vivo. Me ensinou a ver belezas ocultas, e pela primeira vez eu me senti vivo de volta à cidade. Lembro como se fosse hoje do drible lindo que me deu. E eu ri, a aprender um novo conceito de futebol. Aprendi como é o jogo, enfim.
Eu pude, finalmente, ser leve para perseguir uma pluma no vento. E enxergar através dos prédios, uma lua distante. Você me deu uma alameda, lembra? Fez com que meus sonhos residissem em um prédio simpático de tijolos, onde pude enxergar uma vida nova naquelas janelas. Aí eu percebi que eu era rico, pois você é minha fortuna. Assim, deixei de nadar contra a correnteza, e fui parar num mar onde pude flutuar sem pensar na direção em que estava indo.
Aí você caminhou um pouquinho comigo. E pela valsa que eu devia, dançamos à luz do luar. Depois, assisti enquanto você sonhava, aquela beleza linda e inocente. E eu não quis mais esperar, pois não tinha mais medo, mesmo se o sol se recusasse a brilhar. As correntes continuavam me levando, mas eu aproveitava para semear o meu otimismo por onde passava. Eu morri de saudades.
Descobri então que nossa sintonia é perfeita. E eu queria que você sempre estivesse aqui. Daí, em um dia de verão, apareceram algumas gotinhas de chuva sussurrando de dor. Havia uma montanha de sonhos, e eu questionava se este era o paraíso. E uma lembrança sua borrifada de perfume bastou para que eu a levasse sempre comigo.
Você queria saber tudo que eu vi quando estive lá. Eu não precisei dizer nada, apenas entreguei aquela pequena gota de chuva. Então percebi do que precisava. Apenas de um beijo seu no fim do dia, quando não tivesse ninguém por perto. Descobri que você é perfeita, e vai muito além do que eu acreditava. E nossas vidas foram mudadas para sempre. Acho que você aprendeu que meu amor é desse jeito.
Quando eu menos esperava, no lugar onde eu menos imaginava, você arrancou palavras do meu peito. E eu pude dizer que aquele dia era o melhor dia que eu já tive. Lembrando de tantas alegrias, eu tirei forças para enfrentar a rotina. Para vencer meu desânimo. Você me inspira a fazer o que eu mais amo, mesmo quando escrever parece não fluir com meus batimentos cardíacos como deveria. Você é minha insônia. Você me devolve a esperança quando eu pareço não encontrá-la. Você é minha razão para acreditar.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Today is the greatest
Você que acabou de acordar, saiba que está começando mais um dia imprevisível. Eu sei, você tem planos pra ele e sabe o que quer e pode seguir. O caminho não é desconhecido, uma vez que passa pela estrada da rotina diariamente. Mas é claro que você não imagina que este pode ser o melhor dia da sua vida, ou da minha vida. Mas possivelmente ele será.
Em um dia como este, talvez a gente vá a um bar corriqueiro, com as pessoas de sempre e as mesmas piadas. Nós vamos dar boas risadas entre um chopp e outro, comer uns petiscos, tomar um vento na mesinha da calçada. Ou talvez a gente tenha uma conversa séria, que nos faz sentir medo. Um frio na barriga, acompanhado de pessimismo, e então decidimos mergulhar na rotina para esquecer dos problemas. E surgirão vários questionamentos e reflexões, durante a pausa para um café ou frente ao bebedouro. E eles se perderão no encontro dos nossos olhos.
Ou talvez tudo isso aconteça junto.
Ao acordar, ninguém sabe o que esperar de um dia. Você sabe para onde vai, aonde deve voltar. Mas, fora isso, para onde podemos ser levados? Para uma festa, sequestrados pelos próprios amigos, ou então durante a hora mais tediosa do dia recebermos um convite gostoso. Sermos surpreendidos pela chuva, ganharmos presente, nem que seja um chocolate, ou cochilar no ônibus e perder o ponto.
Mas hoje é o melhor dia da sua vida. E você vai fazer a pergunta que tinha desistido de fazer. Vai receber a resposta que tanto deseja, do jeito que nunca planejou. Vai conhecer um lugar totalmente novo, que só de fechar os olhos e lembrar, vai poder chamar de seu. Porque você nunca viveu um dia igual a este.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Wine is fine, but whiskey's quicker
Sou eu e o mundo. Quando tudo isso acabar, quando todas essas mudanças forem finalizadas, eu ainda estarei lá andando, achando meu rumo e lendo o roteiro da vida. De repente a surpresa boa vem, ou a má, e aí então estarei no fundo do poço.
Não me importa.
Só quero que passe rápido, pular logo os capítulos chatos pra ler o epílogo. Esta acidez que desce devagar e me corrói por dentro podia passar logo, mesmo que mais intensa, mesmo que me desnorteie mais. É como aquele curativo que a gente arranca e sabe o que vai doer. Tirar devagar não minimiza a dor, apenas prolonga. Quero puxar de uma vez, nem que me tire junto um grito. Nunca gostei de tortura e muito menos de agonia. Nada de ficar vendo a agulha antes da vacina, a altura antes da queda. Me empurre e eu vou saber.
Eu vou pra lá e não vou levar ninguém. Preciso passar por isso sozinho, mesmo nas horas em que grito por ajuda. Se você escutar, finja que não ouviu. É puro desespero, eu sei que vou passar e sobreviver. Eu sei porque já tomei muita porrada e nunca fugi da briga. Eu sei porque um dia vou tomar uma cerveja e rir de tudo, vou achar que foi besta e que minhas reclamações eram pura fraqueza. No final, quando a gente chega à chave das coisas, entendemos o propósito de todos os fatos, e aceitamos. Mesmo sabendo que podia não doer tanto.
Não gosto que me apontem uma arma. Se quer me ameaçar, atire sem falar nada. É mais digno e rápido, só não é mais limpo. A vida não pode ficar nos encarando e coagindo. A gente pode querer dar o troco e fazer alguma besteira, dar uma de herói, de repente.
Chega.
Que o roteirista dessa merda venha logo a mim e a gente acaba logo com essa palhaçada. Menos diálogo, mais ação. Não quero saber de enrolação, quero preto no branco porque eu sei que cada cena tem um propósito. Eu gosto de vinho, mas ando sem paciência para decantar, ficar olhando contra a luz, sentir o cheiro, provar em pequenos goles para depois servir. Quero uma dose quente de whisky cowboy. E pra tomar em um único gole, de preferência.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
That's the way my love is
Um toque tão leve como acariciar pétalas de rosa,
a pele desliza na outra pele e transcende.
E de tão bela e perfumada, tão necessária,
olhar para alguma flor já seria gesto de infidelidade.
Às vezes Deus manda um milagre de cura,
às vezes manda um olhar e prova sua existência.
Ela é assim, a junção do que é belo no curto sopro da vida,
que me faz devoto, me faz pecador se penso em tristeza.
E quando num riso me desarma por completo,
quando num toque de lábios se adentra na minha alma,
consegue alcançar meu coração com suspiros.
Um coração que já não bate, apenas sorri.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
I used to be a little boy
Não. Eu não quero voltar à infância como muita gente fala. Até sinto nostalgia, mas não consigo querer voltar àqueles tempos, por mais que a vida parecesse mais tranquila e a maldade menos evidente. Claro, esta parte da minha memória continua gravado na minha mente com muito carinho, lembranças que me fazem sorrir sempre que encontro com elas. Sem falar nos bons amigos, aqueles que compartilharam momentos de bagunças, notas altas e baixas na escola, voltas de bicicleta no bairro e tantos tombos na vida.
Mas a gente passa pelo que tem que passar e cresce. E, de repente, passamos a não nos preocuparmos com notas na escola e pensamos nas notas de dinheiro, direta ou indiretamente. A gente pensa em emprego, em aprendizado, em desenvolvimento. Em namoros, carros, barzinhos, shows de rock e camisetas. Aí começamos a pagar nossas próprias coisas, as necessidades mudam. E, quando percebemos, acabou o colegial, acabou a faculdade. Olhamos para o mundo e percebemos que enfrentamos tudo sem parar pra perguntar uma vez se estávamos preparados.
Se precisasse, faria tudo de novo. Exatamente como foi, até os erros. Porque aprendi. Já disse, não tenho vontade de reviver, mas não tenho arrependimentos. Aprendi o que tinha que aprender, tantas vezes é difícil entender o motivo das adversidades antes de superá-las. Mesmo tendo vencido várias vezes, toda derrota derruba, todo pessimismo é sempre pouco. Afinal, é normal questionarmos o sofrimento, é natural sempre almejarmos as mudanças mais positivas e o fim definitivo de problemas que insistem em nos incomodar de forma recorrente. E viver é isto, são os altos e baixos, as memórias e os ombros amigos. As confissões matinais, as confidências ao telefone, o pedido de ajuda envergonhado. Viver às vezes é uma chatisse, é um desânimo ao acordar. Mas, acima de tudo, viver é recompensador.
Nossa, como foi boa a minha infância. Tive o privilégio de crescer no interior, de conhecer animais além das figuras de livros. Viajei mais do que muita gente grande, acompanhei de perto os ofícios do meu pai. Mas, de alguma forma, eu olho praquele garotinho que sempre teve curiosidade de saber o futuro e não tenho vontade de sê-lo novamente, pois levo para sempre uma certeza: ele odiaria se um dia eu desejasse voltar e perdesse todas as experiências que ele sempre quis ter.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Ramble On
De repente, numa virada de olho, ele ganhou vida. Num ato trivial de um dia ordinário, no caminhar moribundo de pensamentos vazios, de uma cabeça que estava distraída, que de repente prestou atenção em uma figura que já tinha visto milhares de vezes, assim, na capa de um livro, e então sentiu algo que não sentia há tempos. E daí ele já sabia o que fazer, mesmo que a solução fosse o inesperado, o surpreendente. Não adquiriu mais conhecimento, mas, talvez, fosse um instinto que acabara de despertar em sua pessoa.
Assim, alguns medos foram deixados para trás. Esqueceu-se também de frustrações de outrora, de dores que já cicatrizaram mas ainda continuavam a incomodar por força do hábito. Experimentou um pouco da falta de noção e então lançou-se sem cordas e sem querer voltar. Buscou com vontade o fundo do poço, sem saber. E quando chegou lá, descobriu que não havia vergonha, que não havia nada mais a proteger ou zelar. Então riu de tudo, de todas as merdas que tinha feito. Descobriu que havia se maltratado porque merecia, para deixar algumas vaidades de lado. Pois as vaidades são grandes parceiras do medo, e chegam a fortalecê-lo.
Como forma de um grande pacto, prova de mudança e marca que o lembraria sempre do que o fazia respirar, do que o faria atravessar mares e oceanos. A prova de que tudo é só uma questão de querer. E foi o momento em que teve certeza, em que cumpriria o que planejava há mais de ano. Ainda houve colaboração externa, quando um sinal serviu como afirmativa e deu a largada para que ele estampasse aquele símbolo em sua própria carne.
Ele seguiu confiante, mudado. Andando no escuro, mas com a certeza de que rumo tomar. Estava ali, novamente arriscando o pescoço, mas desta vez de guarda baixa e cabeça erguida. Em sua frente, a chuva o aguardava. Em meio ao temporal, ele saberia andar com firmeza.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
And our lives are forever changed
Um dia, você acorda pela manhã e descobre que a vida tem um cheiro. Cheiro de aconchego, de colo, de ombro que recebe seu rosto quando ele precisa repousar e esquecer que existe outra coisa lá fora, que o mundo às vezes dá desgosto e que o cansaço aparece. E a gente flutua, seja numa manhã ensolarada ou chuvosa, e a preguiça nos acomete por estarmos tão relaxados. E assim, à vontade, podemos amar, podemos sorrir e ter esperanças. Podemos enxergar a beleza e sentí-la encher nossos corações, de tal intensidade que ele acaba transbordando em um grande e involuntário sorriso.
Com o tempo, a gente aprende o quão bonito é tudo, e os motivos de cada fato que nos empurrou até a linha em que o destino vai escrevendo os fatos, e quando a palavra encontra esta linha a realidade nasce, trazendo consigo surpresas e algumas certezas que precisavam ser reafirmadas. Porque as palavras têm que ser renovadas a cada dia, o aconchego tem que sempre existir para nós, as mãos que uma vez foram dadas têm que se selar num pacto eterno e cotidiano, pois o caminhar é longo e muitas vezes teremos medo e precisaremos apertá-las. É necessário ter sempre aquele espelho, que vai repetir o quão bela foi a história, que vai narrar os feitos sempre que precisar, que vai ser um amuleto que recorda a iminência da felicidade.
Assim, quando estiver distraído, empurrado pela inércia e envolvido pela serpente que é a rotina, respirar fundo e acidentalmente sentir aquele cheiro nos dá força para fugir da constrição, e fazer nossos próprios movimentos rumo ao nosso desejo. Mesmo que ele apresente-se como uma estrada incerta, como uma alternativa subjetiva, andaremos por ele e exploraremos até atingirmos a satisfação, porque é assim que devemos prosseguir quando nos falta gosto à boca.
Nós precisamos de um ponto de equilíbrio para, de vez em quando, desequilibrar. Mesmo que este ponto tão importante seja ao mesmo tempo próprio nosso e tão externo a nós. Ele estará dentro de outro olhos, pulsando em outro coração. Será partilhado não como pão, mas como ponto de união que transforma um em dois, que promove um intercâmbio tão forte que parte de si dispersa, mas volta renovada de energia, depois. E, depois de encontrá-lo e confirmar todas as suspeitas. Depois de comprovar e perceber o bem que faz. Depois de descobrir que a vida tem cheiro, sabor, textura, cor, trilha sonora, movimento, bondade, surpresas, certezas, fatos, sensações e suspense. Depois de descobrir que algo mudou, e esta mudança não para, é constante e positiva, é firme e sólida, é necessária e mútua. Depois disso, viciamos. E então, lembramos que, depois disso, cada dia é um dia mais do que especial.
Assinar:
Postagens (Atom)